14 ago , 2011
DOM
fora de cena Golpe d'asa Teatro de Rua Golpe d'asa vai-se agigantando para se apresentar em Tondela, antes da partida para a aventura da Expo 2008 - Saragoça, para celebração do dia de Portugal.
Classificação
Maiores de 6
14 ago , 2011
DOM
Golpe d'asa vai-se agigantando para se apresentar em Tondela, antes da partida para a aventura da Expo 2008 - Saragoça, para celebração do dia de Portugal.

fora de cena

teatro de rua

Classificação
Maiores de 6

Calendarização

14 ago
dom
21:30
Viseu  (Feira de S. Mateus)
18 dez
sex
21:30
Tondela  (Parque Urbano)
26 set
sáb
21:30
Aveiro  (Av. Lourenço Peixinho)
23 jun
ter
21:30
Ovar  (Percurso do Lg. do Mártir ao Jardim dos Bombeiros)
20 set
sáb
21:30
Guarda  (Semana da Mobilidade)
16 set
ter
21:30
Tondela  (FICTON)
15 set
seg
21:30
Tondela  (FICTON)
10 ago
dom
21:30
  (Festival Andanças)
11 jul
sex
21:30
  (Expo Saragoça 2008)
05 jul
sáb
21:30
Tondela  (Largo Dr. Anselmo Ferraz de Carvalho)
04 jul
sex
21:30
Tondela  (Largo Dr. Anselmo Ferraz de Carvalho)
30 jun
seg
21:30
Viseu  (Escola Superior de Tecnologia)

Golpe d'asa

Teatro de Rua

Embora o Golpe d’Asa só tenha levantado voo em 2008, já desde a sua criação, em 1976, que o TRIGO LIMPO teatro ACERT faz a cultura voar de boca em boca. Toda a sua história, ou melhor, as suas estórias, são perpassadas por uma busca de estratégias de comunicação e de intermediação com o público. Esta vertente de actuação comunitária encontra, pois, expressão numa mão-cheia de actividades, valendo a Queima e Rebentamento do Judas, iniciada em 1986 e anualmente revisitada, como um poderoso símbolo dessas saborosas partilhas artísticas.
A par deste grandioso espectáculo, muitos outros projectos: Os Cavaleiros, de Aristófanes (1990); Brincando com o Fogo, de José Rui Martins (1993); Faldum, de Herman Hesse (1996); Augaciar, de Carlos Santiago e José Rui Martins (1999); Transviriato, de Jaime Rocha (2001); Num Abril e Fechar d’Olhos, uma co-produção com Teatrosfera e encenação de José Rui Martins (2004); ou Em Paz, de Aristófanes (2006) – encheram de arte os cantos, recantos e encantos de Portugal e do mundo.
Porém, o ponto alto deste esforço de abertura à comunidade e apelo à participação cidadã ocorreu quando, numa bela tarde estival pouco antes da viragem do milénio, um ciclista chamado Caramulo pedalou sem parar no desfile diário da “Peregrinação” na Expo 98, seguindo, dois anos mais tarde, para a Expo Hanover 2000. Tratava-se de um brinquedo tradicional agigantado que, transformado na máquina de cena “Memoriar”, marcou de forma ímpar o panorama nacional com a sua mui bicicletante arte. Apesar de hoje desfrutar do seu merecido descanso num jardim de Tondela, este desportista único deu azo (e, sobretudo, asas!) ao desejo de uma viagem aérea capaz de prolongar afectos e diálogos com o público.
Chocámos, assim, um outro elemento fortemente enraizado no imaginário popular – o passarinho – que, tal como o Caramulo, representa muito mais do que um objecto de madeira de enormes dimensões: por terra ou por ar, ambos os engenhos se alimentam de uma pedalada transbordante de energias artísticas, sem recorrer a outro tipo de combustível que não o sonho de quem lhes deu vida. Deste modo, à semelhança do que acontecera com o seu antecessor, o Golpe tornou-se um namoro criativo acicatado pelas criações do nosso imaginário, para o qual arrastámos, de imediato, a asa. E então a ave – tal como a arte – saiu à rua, onde actualmente permanece, pronta a encantar os que...

...não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

António Gedeão, Pedra Filosofal

Será um avião? Será um pássaro? E, neste último caso, teremos um corvo, um pavão, uma pomba da paz, um dragão ou mesmo um ser humano? Independentemente da sua forma, estamos sem dúvida na presença de uma ave rara, que abana as asas pela transmissão do movimento das rodas e vai sofrendo modificações parciais ao longo do percurso. Estas metamorfoses artísticas inscrevem o Golpe d’Asa no contexto experimentalista que, hoje e sempre, se assume como o cartão-de-visita do TRIGO LIMPO teatro ACERT.
Com efeito, a Companhia não se restringe à mera reprodução de rituais e tradições antigas, no sentido de garantir a sua continuidade, mas transporta essas impressões digitais da cultura local para a contemporaneidade, fornecendo-lhes uma roupagem mais arrojada e permeável aos principais debates hodiernos. À luz desta readaptação, as típicas Festas de Santo António, espelho fiel das gentes e dos hábitos populares, deram lugar aos modernos Tons de Festa – Festival de Músicas do Mundo, enquanto o Judas primordial acabou por levantar fervura num caldeirão de dança, música e fogo-de-artifício, temperado com mensagens sociopolíticas e ideológicas.
Este sentido de inovação, alicerçado na conjugação multidisciplinar das artes do espectáculo, já estivera presente na bagagem do ciclista Caramulo, que mesclou os sinais regionais (o dialecto de Molelos) com uma reinvenção de influências musicais, estéticas e cenográficas. Por seu turno, o nosso jovem passarinho vai esboçando trajectos horizontais, planados, descendentes e, sobretudo, ascendentes e desafiadores: um voo cruzado onde confluem as mais variadas linhas artísticas, entretecidas por animadores, actores e compositores. Não existem, portanto, fronteiras, numa criação em que a madeira casa com o ferro, o mecânico é o escultor/cenógrafo da engrenagem e a solda o parafuso luminoso. As artes movem-se ao ritmo de um grupo de aves esvoaçando ao vento: cada uma com o seu potencial e existência própria, mas bem coordenadas e articuladas num só bando harmonioso.

Difícil é quebrar os muros invisíveis de que os reais são feitos.
Eduardo Lourenço

Um pássaro, muitas penas

Repleto de amizades e cumplicidades coroadas pelo encantamento de artistas e pelo empenho voluntário de activistas culturais, o ninho da ACERT abre-se à comunidade local. Aqui e ali debicam-se parcerias com associações, organizações públicas, empresas e marcas, sob o pano de fundo de uma forte intervenção comunitária.
Nesta linha de pensamento, eis um somatório de talentos: Escola Superior de Tecnologia de Viseu, Tondagro, CEART e inúmeras empresas regionais e colaboradores associados da ACERT. Todos acrescentaram, através da construção e pesquisa dos melhores mecanismos, diversas penas coloridas ao nosso passarinho, para que este aguentasse voos longínquos e seguros.
Realizaram-se, além disso, parcerias com diversas entidades locais (particularmente, com a Câmara Municipal de Tondela) e organizações ligadas à promoção turística regional (Portugal Centro), mediante as quais se potenciaram valências concentradas no engenho cénico. Por fim, subjacente a todo este processo, esteve naturalmente o incontornável papel do Ministério da Cultura, ou não fosse o organismo governamental que maior apoio concede à actividade global do TRIGO LIMPO teatro ACERT.
Se esta ave valeu pelo desafio artístico para a Companhia ACERTina, teve igualmente a virtude de juntar um conjunto de progenitores (animadores, actores, músicos, construtores, escritores, mecânicos, engenheiros, serralheiros, carpinteiros e muitos colaboradores voluntários) que, ao longo da gestação, gravidez e parto, procuraram mimá-la e educá-la a cada momento.


Futuras aterragens

Depois de sobrevoar a Expo Zaragoza 2008, na sequência de um convite do Comissariado de Portugal para integrar a embaixada artística nacional, é favor apertar os cintos de segurança, porque o passarinho se prepara para aterrar noutras paragens. Antes da partida para Espanha, uma despedida simbólica com o público de Tondela na antestreia de 5 de Julho, seguindo depois para o encerramento do Festival “Andanças”, em Agosto — num espectáculo que tem o apoio da Região de Turismo Dão Lafões. Neste espectáculo, que será a sua primeira apresentação nacional, partilhará com certeza um Golpe de satisfação com todos os companheiros que dançam, tocam e festejam a vida.
Mas como longa é a migração de qualquer ave que se preze, que a aguardem também todos os ninhos de todos os países que acolham a vontade de viajar até ao infinito, em jornadas sempre atribuladas no grande aviário do mundo. Um périplo onde, numa roda-viva, pode haver medos e hesitações antes da celebração da grande festa, mas que serão certamente dissipados quando os viajantes aprenderem a deixar planar a vida e a ver, na linha do horizonte, qualquer coisa inatingível... ou quase…

Os números

Em 2008, 17 apresentações em Viseu, Tondela, Saragoça, São Pedro do Sul e Guarda para 50.372 espectadores.
Em 2009, 2 apresentações em Aveiro e Tondela para 2300 espectadores.
Em 2010, 1 apresentação em Almodôvar para 700 espectadores.
Em 2011, 12 apresentações em Viseu para 30.000 espectadores.

Ficha técnica e artística

Dramaturgia e Encenação 
José Rui Martins e Pompeu José
Direcção de Construção
 Pompeu José (Trigo Limpo teatro ACERT)
Pedro Pais de Brito (Escola Superior de Tecnologia de Viseu)
Elenco Trigo Limpo teatro Acert 
Actores Ilda Teixeira e Ruy Malheiro 

Técnico/Condutor/Actor Cajó Viegas
Fanfarra Kaustika
Músicos/Actores: 
Abílio Liberal – Sousafone  
Brian Carvalho - Trompete 
Bruno Abel - Saxofone 
Gabriel Caseiro - Bombo 
Júlio Morgado – Trombone 
Ricardo Oliveira – Tarola e Pratos 
Rui Bandeira - Trombone 
Tito Oliveira - Tuba
Cenografia 
Zétavares
Assistência de Cenografia e Coordenação Plástica 
Marta Fernandes da Silva
Música 
Fran Pérez
Figurinos 
Concepção e realização em colaboração com o CEARTE – Centro de Formação Profissional do Artesanato - Coimbra, sob a direcção de Filipe Faísca.
Coordenação de Curso - Alzira Ferreira.
Orientação – Filipe Faísca (estilista)
Curso de Artes Cénicas – Criação de Figurinos 
Formador: Filipe Faísca
Alexandra Cristina da Costa Matos; Alexandra Maria de Melo Barreto Monteiro; Ana Margarida dos Santos Fernandes; Ana Maria Marques Loureiro; Estela Maria de Abreu Ribeiro de Melo; Fernanda Maria Gonzaga Tomás; Iria Kovacs; João Pedro Serafino de Deus Amaral; Maria do Rosário Rocha Pereira; Maria Manuela Braz Brito Ferreira ; Maria Margarida Alves dos Santos; Paula Cristina de Sousa Manhente; Silvania Valéria da Silva
Curso de Técnicas de Modelação e Confecção de Figurinos 
Formador: Sandra Moura dos Santos
Cidália Maria Salgado Alves da Cruz ; Esperança Maria Dias dos Santos; Gracinda Fernandes de Moura Nunes; Maria Ascenção Farinha Lopes Camacho; Maria Cristina Costa da Câmara Pestana; Maria José da Silva Brito; Maria Salomé Ferreira Forte; Rui Jorge Borges Campeão dos Ramos;
Confecção dos fatos dos músicos
 Swetelana

Acompanhamento de produção 
Ruy Malheiro
Entidades que colaboraram na construção 
Eixo:  J. Tavares Costa & Filhos, S.A. 
/ Falanges: Garagem S.ta Maria / 
Hidráulicos: Tojaltec
 / Oxicorte e calandragem: Calandra Basílio / Tondeltorno
Desenho Gráfico
 Zétavares
Fotografia
 Eduardo Araújo
Vídeo
 Zito Marques
Textos criação e revisão
Ana Martins e José Rui Martins
Estudo técnico e construção em madeira 
ESTV - Escola Superior de Tecnologia de Viseu
Coordenador – Pedro Pais de Brito
Elementos da ESTV, envolvidos no projecto:
 Adelino Trindade; Ângela Neves; António Costa; Bruno Esteves; Carlos Chaves da Silva; Carlos Santos; Carlos Vieira da Silva; Cristina Coelho; Daniel Gaspar; Edmundo Marques; Fernando Silva; Filipe Amaral; Hugo Ferreira; João Luís Pereira; Jorge Martins; José Salgueiro Marques; Marcelo Oliveira; Nelson Santos; Nuno Garrido; Paulo Figueiredo; Pedro Pais de Brito
Construção em metal 
Tondagro - José Carlos Coimbra; Amândio Silva; Carlos Henriques; Eduardo Vilareto; Hilário Vieira; Jorge Almeida;
Apoio técnico e acompanhamento de montagem
 André Silva (Néné); Eduardo Araújo; Ilda Teixeira; João Arede; Jorge Almeida; José Ernesto; José Rosa; Luís Viegas; Marta Fernandes da Silva; Miguel Torres; Pedro Santos; Paulo Neto; Rui Ribeiro; Ruy Malheiro; Sandra Santos; Sérgio Moras;
Estagiários da Escola Profissional Mariana Seixas
 João Pedro Gonçalves; Eduardo José Faro; Rui Sérgio Lemos Henriques
Estagiários da Escola Superior de Educação de Viseu 
Daniela Leitão e Jenifer Marques
Produção e Secretariado
 Marta Costa, Paula Coelho e Raquel Costa
Gestão Financeira 
Rosa Marques e Rui Vale
Agradecimentos
 Bombeiros Voluntários de Tondela, Carlos Fernandes, Escola EB 1 e 2 de Tondela, Irene Pais, Miguel Valentim, Paula Cristina e Rita Costa,  Adriana Ventura, Cláudia Barato, Carlos Armando (Piorra), João Gil, José Carlos Coimbra, Luís Correia, funcionários do Estaleiro da Câmara Municipal de Tondela e a todos os que, de forma anónima, voluntária e solidária, entregaram o seu talento e empenhamento nas fases de pesquisa, estudos e criação do engenho cénico.


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