10 NOV
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21:45
em preparação ELA Trigo Limpo teatro ACERT Um espetáculo sobre o amor no feminino, no qual a dança e o teatro se unem.
10 NOV
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21:45
Um espetáculo sobre o amor no feminino, no qual a dança e o teatro se unem.

em preparação

Calendarização

10 nov
qua
21:45
Tondela  (Auditório 1)
02 dez
qui
21:30
Lisboa  (Escola de Mulheres - Oficina de Teatro)
03 dez
sex
21:30
Lisboa  (Escola de Mulheres - Oficina de Teatro)

ELA

Trigo Limpo teatro ACERT

Clara e Isabel são lindas, jovens, talentosas e vivem um grande amor. Mas o sentido da vida entra em xeque diante do diagnóstico de ELA.

Cada vez mais ausente fisicamente, o tempo de Clara expande-se na sua vida interior, comparecendo em cena através de memórias e delírios que nos fazem pensar no que seja a mente humana. Enquanto isso, com apoio de Paula, médica e amiga de infância, Isabel dá conta da realidade, galgando íngremes fronteiras com poder e coragem que jamais soube que poderia ter.

Embora a doença as tenha enfraquecido, ELA fortaleceu os laços que as unem.

O espetáculo ELA faz parte da segunda edição do projeto Interiores
Para a primeira edição do projeto Interiores, que se realizou de 2006 a 2008, visando essencialmente contribuir para o desenvolvimento da dramaturgia em língua portuguesa e, ao mesmo tempo, levar à descoberta de personagens que ajudassem a refletir sobre os distintos sinais da “portugalidade” contemporânea, o Trigo Limpo teatro ACERT convidou 6 escritores a escreverem textos originais para a criação de 3 espetáculos que, de alguma forma, cruzassem os textos, dois a dois. No primeiro espetáculo, duas histórias de solidão, duas histórias a sós, foi o cenário e a sua utilização obsessiva que ligou os textos de Eduarda Dionísio e Jaime Rocha; no segundo, o entendimento iniciou-se logo na escrita, pois o Mia Couto e o José Eduardo Agualusa fabricaram o texto de cada um em total cumplicidade, nascendo o chovem amores na rua do matador do cruzamento do masculino e do feminino que eles propunham; a terceira etapa destes interiores partiu dos textos de Hélia Correia, Dicotomias, e Gonçalo M. Tavares, As Conferências do Sr. Elliot.

Propomo-nos fazer uma segunda edição de Interiores, abordando, desta vez, os diferentes significados da palavra e o cruzamento do teatro com outras artes, desafiando outros criadores a construírem os espetáculos connosco.

No primeiro Interiores desta segunda edição, o ponto de partida é o texto de Marcia Zanelatto, ELA, e o convite a Leonor Barata e a Daniela Madanelo para se juntarem a Sandra Santos na interpretação das três personagens da peça com o objetivo de cruzar o teatro e a dança, reforçando a narrativa do texto de Marcia Zanelatto que reflete sobre o drama da doença ELA numa bailarina e na sua relação amorosa com outra mulher.

 

Ficha técnica e artística

Texto: Marcia Zanelatto
Dramaturgia e encenação: Pompeu José
Apoio: Sara Figueiredo Costa
Interpretação: Daniela Madanelo, Leonor Barata e Sandra Santos
Cenografia: Zé Tavares
Música: Teresa Gentil
Desenho de luz: Paulo Neto
Som: Luís Viegas
Figurinos: Adriana Ventura


Sobre o Texto

“Uma doença é algo que nos mostra que o mistério da vida é incontrolável, que nada está garantido em nenhum momento.
E, agora?
Bem, agora nos resta escolher melhor os problemas que vamos ter e viver cada segundo com a gratidão e o entusiasmo de quem está vivendo o último.
Uma receita simples de livro de autoajuda como essa pode ser a decisão mais revolucionária que se pode tomar.

Pode mudar tudo.
Pode mudar sua vida.
Pode mudar até mesmo… o mundo.

Assumir a morte como conselheira pode mudar nossa relação com a única coisa que realmente temos aqui: o tempo. (…)
Escrever uma peça de teatro sobre uma doença que tira toda a expressão física de uma pessoa é a maior provocação que eu já recebi como dramaturga, porque a doença é em si o antiteatro”.

Marcia Zanelatto


Sobre Marcia Zanelatto

Na minha casa de menina não tinha livros. Mas fui encontrada pelo caderno de prosa e verso de minha mãe, uma coleção que ela fez anotando, furtiva, trechos dos jornais e revistas que encontrassem ela. E por esse caderno - que tinha rosa vermelha na capa, claro - a minha existência foi inventada. Minha mãe se chama Regina Célia da Costa Frias. E quando eu fiz 11 ou 12 anos, ela me acordou com uma caixa com mais de 20 livros novinhos em folha - uma cena inesquecível, uma alegria sem nome. Hoje entendo que ela viu não só a minha paixão por seu caderno, mas a falta que a palavra escrita me fazia - e que certamente fez a ela.

Anos depois, já no ginasial, eu menti dizendo que precisava comprar um livro pra escola e não era, era pra minha necessidade de conhecer os contos de Fernando Sabino. Ela sabia que eu mentia, claro. Mas sabia também que a verdade às vezes se precipita de uma maneira torta.

Minha mãe é neta de portugueses, e só quando estive em Lisboa há somente um ano entendi com clareza o quanto sua alma era lusitana. E agora escrevendo sobre a montagem da peça ELA pelo Trigo Limpo, vejo que minha vida foi regida pelo amor lusitano em verter sentimentos em palavras. Amor que aprendi com a minha mãe.

Assim, a montagem dessa peça por vidas portuguesas me soa uma modesta retribuição que posso fazer a todo amor em palavras que recebi da minha mãe e toda a nossa ancestralidade portuguesa. É isto: desejo que recebam essa peça como um agradecimento. Sei que essas palavras vividas por vocês estarão voltando à foz onde elas brotaram. Quando isso acontecer, eu sei que, mesmo a um Oceano de distância, eu estarei novamente vivendo uma alegria sem nome.

Márcia Zanelatto