10 NOV
QUA
19:30
em preparação Ela Trigo Limpo teatro ACERT
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Calendarização

10 nov
qua
19:30
Tondela  (Auditório 1)

Ela

Trigo Limpo teatro ACERT

Clara e Isabel são lindas, jovens, talentosas e vivem um grande amor.
Mas o sentido da vida entra em xeque diante do diagnóstico de ELA.
Cada vez mais ausente fisicamente o tempo de Clara se expande em sua vida interior, comparecendo em cena através de memórias e delírios que nos fazem pensar no que seja a mente humana.
Enquanto isso, com apoio de Paula, médica e amiga de infância, Isabel dá conta da realidade, galgando íngremes fronteiras com poder e coragem que jamais soube que poderia ter.
Embora a doença as tenha enfraquecido, ELA fortaleceu os laços que as une.

Ficha técnica e artística

Texto: Marcia Zanelatto
Dramaturgia e encenação: Pompeu José
Apoio: Sara Figueiredo Costa
Interpretação: Daniela Madanelo, Leonor Barata e Sandra Santos
Cenografia: Zé Tavares
Música: Teresa Gentil
Desenho de luz: Paulo Neto
Som: Luís Viegas
Figurinos: Adriana Ventura


Sobre o Texto

“Uma doença é algo que nos mostra que o mistério da vida é incontrolável, que nada está garantido em nenhum momento.
E, agora?
Bem, agora nos resta escolher melhor os problemas que vamos ter e viver cada segundo com a gratidão e o entusiasmo de quem está vivendo o último.
Uma receita simples de livro de autoajuda como essa pode ser a decisão mais revolucionária que se pode tomar.

Pode mudar tudo.
Pode mudar sua vida.
Pode mudar até mesmo… o mundo.

Assumir a morte como conselheira pode mudar nossa relação com a única coisa que realmente temos aqui: o tempo. (…)
Escrever uma peça de teatro sobre uma doença que tira toda a expressão física de uma pessoa é a maior provocação que eu já recebi como dramaturga, porque a doença é em si o antiteatro”.

Marcia Zanelatto


Sobre Marcia Zanelatto

Na minha casa de menina não tinha livros. Mas fui encontrada pelo caderno de prosa e verso de minha mãe, uma coleção que ela fez anotando, furtiva, trechos dos jornais e revistas que encontrassem ela. E por esse caderno - que tinha rosa vermelha na capa, claro - a minha existência foi inventada. Minha mãe se chama Regina Célia da Costa Frias. E quando eu fiz 11 ou 12 anos, ela me acordou com uma caixa com mais de 20 livros novinhos em folha - uma cena inesquecível, uma alegria sem nome. Hoje entendo que ela viu não só a minha paixão por seu caderno, mas a falta que a palavra escrita me fazia - e que certamente fez a ela.

Anos depois, já no ginasial, eu menti dizendo que precisava comprar um livro pra escola e não era, era pra minha necessidade de conhecer os contos de Fernando Sabino. Ela sabia que eu mentia, claro. Mas sabia também que a verdade às vezes se precipita de uma maneira torta.

Minha mãe é neta de portugueses, e só quando estive em Lisboa há somente um ano entendi com clareza o quanto sua alma era lusitana. E agora escrevendo sobre a montagem da peça ELA pelo Trigo Limpo, vejo que minha vida foi regida pelo amor lusitano em verter sentimentos em palavras. Amor que aprendi com a minha mãe.

Assim, a montagem dessa peça por vidas portuguesas me soa uma modesta retribuição que posso fazer a todo amor em palavras que recebi da minha mãe e toda a nossa ancestralidade portuguesa. É isto: desejo que recebam essa peça como um agradecimento. Sei que essas palavras vividas por vocês estarão voltando à foz onde elas brotaram. Quando isso acontecer, eu sei que, mesmo a um Oceano de distância, eu estarei novamente vivendo uma alegria sem nome.

Márcia Zanelatto