14 mai , 1998
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fora de cena Cowboio Trigo Limpo teatro ACERT
14 mai , 1998
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fora de cena

Calendarização

14 mai
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Tondela  (Audit rio 2, Novo Ciclo ACERT)

Cowboio

Trigo Limpo teatro ACERT

Um momento tão novo quanto diferente: pela primeira vez, a encenação pertence a elementos exteriores ao elenco; parte-se de um texto inexistente que vai sendo elaborado ao longo dos ensaios. Partindo de um western histórico, “Johnny Guitar”, procurou-se explorar o sentido clown da representação, exercitando a dramaturgia de modo a servir as situações de comicidade caricaturadas a partir do visionamento do filme.

Ficha técnica e artística

Estreia 14 de Maio 1998
Auditório 2, Novo Ciclo ACERT, Tondela

Dramaturgia, figurinos e adereços colectivos
Encenação e direcção artística Miguel de Lira e John Eastham
Espaço cénico José Tavares ,John Eastham, Miguel de Lira
Desenho de luz e montagem Luís Viegas
Fotografia Carlos Teles João Paulo Leão
Desenho gráfico José Tavares
Produção executiva Fernando Ribeiro
Concepção e fabrico de instrumento musical Fernando Meireles
Concepção e construção do Boneco Vítor Sá Machado
Efeitos especiais Luís Viegas, Ricardo Spencer
Carpintaria Sílvio Neves
Serralharia Rui Ribeiro
Costureira Felicidade Café
Secretariado e gestão Fausto Gomes, Irene Pais, Marta Costa
Apoio á montagem Ana Saraiva, Anatol Waschke, Helena Oliveira, Lizete Lemos, Nico Nubiola, Paula Conceição, Rita Mamede e Sílvia Leão
Elenco Carla Torres, José Rosa, José Rui Martins e Raquel Costa


Texto do Encenador

Um Western Loucomotivado em Johnny Guitar

Este é o primeiro espectáculo com direcção da responsabilidade de alguém fora da equipa permanente do grupo.
Nada disto acontece por acaso, nem por coincidência. Pelo contrário, resulta do facto de o TRIGO LIMPO teatro ACERT de há muito ter vindo a travar lutas com cowboios e índios de muitas películas. O Chévere embalou-nos com o seu “Annus Horribles”. Do fundo do nosso “saloon”, desafiámos dois pistoleiros, Miguel de Lira e John Eastham, “a beber um copo” connosco. Aceitaram.
Os olhares cruzaram-se, sem que alguma vez se tivessem entornado. Desatámos a disparar em galaico-português, e uniformizámos a artilharia.
Cowboio é um espectáculo cinematográfico, louco e motivado en Johnny Guitar.
En Johnny Guitar, atopa-se unha dessas malas hervas que afloram na memoria colectiva de un xenero de que so restan cinzas. Un western mítico protagonizado por mulleres que, nos anos 50, recibiu pésimas críticas en contraste coa excelente acollida popular. Aproveitamos este duelo femenino como punto de partida para xogar co melodrama desde o punto de vista do clown, no cinema desde o teatro, co texto desde o pretexto, coa simplicidade desde a reciclaxe e coa filosofia do divertimento desde a brincadeira.
De outras “películas” xá conhecíamos as terras do Caramulo, e a este “amable e pacífico” bando de activistas de Tondela e sabíamos que o Trigo non era Limpo.
Era un equipo ideal para abordar este ferreo rabanete western.
A intuición non nos traicionou: O disparo foi certeiro.
A chegada do cowboio está pronta.

Miguel de Lira


Excerto do Texto

2 Johnny no Saloon

SAM - Whisky?
JOHNNY - Whisky! Onde está a Vienna?
SAM - Quem quer falar com ela?
JOHNNY - O meu nome é Johnny... Guitar.
TOM - E depois?
JOHNNY - Tenho um encontro com ela.
TOM - A Vienna está ocupada.
JOHNNY - Estão-me cantando as tripas...
SAM - Tom, leva-o para a cozinha.
TOM - É muito homem o que levas nessas botas forasteiro. Por aqui!
(Sam fecha caminho a Johnny com o balcão.)
SAM - Não pagou o Whisky.
JOHNNY - Calma amigo. Isto, ainda agora começou.
(Sam roda balcão)

3 Vienna

(Entra Vienna que sobe escadaria. Sam aproxima balcão.)
SAM - É um tal de Johnny Guitar.
VIENNA - Eu falo com ele mais tarde. Sam, põe uma lanterna lá fora.
SAM - Para quê? Com este tempo não vem ninguém._
VIENNA - Mas, se vierem, como hão-de dar com a casa?
(Sam pega no balcão e prepara-se para sair.)
SAM - Mas o raio...
VIENNA - Sam, é a lanterna, e não o bar!
(Sam sai com lanterna e Vienna desce escadas para junto do balcão. Serve-se. Repara em Eddie.)
VIENNA - Eddie, esse jornal é do mês passado. Quantas vezes precisas de lê-lo?
EDDIE - Gosto de saber o que vai pelo mundo.
VIENNA - Põe a roleta a funcionar.
EDDIE - Para quê? Não há clientes.
VIENNA - Gosto de ouvi-la rodar.
(Eddie liga a ventoinha até saída de Vienna do espaço.
Avança para público, sussurrando.)
EDDIE - Nunca vi uma mulher que se parecesse tanto com um homem (...)

excerto do texto “Cowboio”


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