29 jun, 2013
SÁB
em cena A viagem do elefante Trigo Limpo teatro ACERT Espetáculo teatral de rua do Trigo Limpo teatro ACERT em coprodução musical com Flor de Jara (Espanha) e Parceria Fundação José Saramago
Classificação
Maiores de 6
Duração
90 minutos
29 jun, 2013
SÁB
Espetáculo teatral de rua do Trigo Limpo teatro ACERT em coprodução musical com Flor de Jara (Espanha) e Parceria Fundação José Saramago

em cena

teatro de rua

Classificação
Maiores de 6
Duração
90 minutos

Calendarização

29 jun
sáb
Figueira de Castelo Rodrigo  (Figueira de Castelo Rodrigo - Largo Mateus de Castro)
06 jul
sáb
São João da Pesqueira  (São João da Pesqueira - Praça da Républica)
13 jul
sáb
Pinhel  (Pinhel - Largo dos Combatentes)
27 jul
sáb
Sabugal  (Sortelha, Sabugal - Largo do Corro)
02 ago
sex
Fundão  (Fundão - Praça do Municipio )
31 ago
sáb
Castelo Branco  (Castelo Branco - Campo Mártires da Pátria)
07 set
sáb
Tondela  (Tondela - Largo Anselmo Ferraz de Carvalho)
08 set
dom
Tondela  (Tondela - Largo Anselmo Ferraz de Carvalho)
14 set
sáb
Lisboa  (Lisboa - Praça do Munícipio)
15 set
dom
Lisboa  (Lisboa - Praça do Munícipio)
21 set
sáb
  (Rivas-Vaciamadrid)
24 mai
sáb
Viseu  (Viseu - Adro da Sé, Integrado no Viseu A)
07 jun
sáb
Penalva do Castelo  (Penalva do Castelo - Largo da Misericórdia)
14 jun
sáb
Nelas  (Canas de Senhorim (Nelas) - Terreiro da Igreja de Canas de Senhorim)
21 jun
sáb
Oliveira de Frades  (Oliveira de Frades - Largo da Feira)
28 jun
sáb
Vouzela  (Vouzela - Largo da Feira)
12 jul
sáb
Tondela  (Caramulo/Tondela - junto ao Museu do Caramulo)
26 jul
sáb
Vila Nova de Paiva  (Vila Nova de Paiva - junto ao Auditório Carlos Paredes)
16 ago
sáb
Sátão  (Sátão - junto aos Paços do Concelho)
23 ago
sáb
Santa Comba Dão  (Santa Comba Dão - Largo do Município)
30 ago
sáb
Castro Daire  (Castro Daire - Jardim Municipal)
06 set
sáb
Carregal do Sal  (Carregal do Sal - Praça do Município)
13 set
sáb
Mangualde  (Mangualde - Largo Dr. Couto)
20 set
sáb
São Pedro do Sul  (São Pedro do Sul - Largo da Câmara)
27 set
sáb
Aguiar da Beira  (Aguiar da Beira - Avenida da Liberdade)
10 jun
qua
Alcobaça  (Mosteiro de Alcobaça)
01 ago
sáb
Figueira da Foz  (Figueira da Foz)
07 ago
sex
Gouveia  (Gouveia)
28 ago
sex
Pampilhosa da Serra  (Pampilhosa da Serra)
15 out
qui
Óbidos  (FOLIO - Óbidos - Padrão Camoniano)
16 out
sex
até
18
OUT
DOM
Óbidos  (FOLIO - Óbidos)
22 out
qui
até
24
OUT
SÁB
Óbidos  (FOLIO - Óbidos)
25 out
dom
Óbidos  (FOLIO - Óbidos - Padrão Camoniano)
02 jul
sáb
21:30
Lousada  (Lousada)
24 jul
dom
21:30
Ovar  (Ovar)
31 ago
sex
22:00
Évora  (Jardim Público)

A viagem do elefante

Trigo Limpo teatro ACERT


Ver o site de 'a viagem do elefante'

SEMPRE CHEGAMOS AO SÍTIO AONDE NOS ESPERAM[1]

Foi este o pulsar afetivo que gerou no Trigo Limpo teatro ACERT a ideia da montagem teatral do conto de José Saramago. Primeiro, a paixão compartilhada pela leitura. Depois, as visões encantatórias que faziam de cada momento lido um momento teatral. Tudo mexia. Os personagens passaram a conviver connosco e a segredarem-nos intenções de saírem do conto para lhes darmos vida. O elefante Salomão povoava-nos sonhos e dava-nos carícias de uma humanidade singular. Agigantá-lo seria um justo merecimento. José Saramago semeava em nós o prazer duma aventura imaginosa e arrojada. Tão somente o escutámos: “As pessoas não escolhem os sonhos que têm, São, pois, os sonhos que escolhem as pessoas”.[2]

Assim sucede quando a literatura, sem mais pretensão que ser literatura, se converte em expressão de vida. A partir desse momento, será já, para sempre, por obra e graça da vida dos leitores, grande literatura, destinada a fortalecer, com audácia, a experiência da liberdade humana e da expressão criadora, essa vontade lúcida que tanto ajuda a sonhar e a construir a realidade desejada.[3]

O QUE DÁ O VERDADEIRO SENTIDO AO ENCONTRO É A BUSCA E QUE É PRECISO ANDAR MUITO PARA ALCANÇAR O QUE ESTÁ PERTO[4]

Caminhos de partilha se impuseram. Convidados, Luis Pastor e Flor de Jara, entraram na aventura afetuosa e generosamente. O cantautor criou com José Saramago “Nesta Esquina do Tempo”, livro/disco em que musicou os seus poemas e que encerra com a voz do nosso escritor. Deitou mãos à guitarra e a sua voz encantou-nos nesta nova viagem.
Delicadamente, contámos o sonho a Pilar del Río que se encantou, maravilhando-nos com sua generosidade. Cumpria-se mais um momento onírico: “Em rigor, não tomamos decisões, são as decisões que nos tomam a nós”.[5]

Escrevê-lo [A Viagem do Elefante] não foi um passeio ao campo: Saramago lançou-se a esta tarefa quando estava incubando uma doença que tardou meses a deixar-se identificar e que acabou por manifestar-se com uma virulência tal que nos fez temer pela sua vida. Ele próprio, no hospital, chegou a duvidar que pudesse terminar o livro. Não obstante, sete meses depois, Saramago, restabelecido e com novas energias, pôs o ponto final numa narração que a ele não lhe parece romance, mas conto, o qual descreve a viagem, ao mesmo tempo épica, prosaica e jovial, de um elefante asiático chamado Salomão, que, no século XVI, por alguns caprichos reais e absurdos desígnios teve de percorrer mais de metade da Europa.[6]

“FISICAMENTE, HABITAMOS UM ESPAÇO, MAS, SENTIMENTALMENTE, SOMOS HABITADOS POR UMA MEMÓRIA …” [7]

A adaptação dramatúrgica não dispensa a leitura integral do conto “A Viagem do Elefante”. Procurou-se encontrar os trilhos que, literariamente, respeitassem a bússola do itinerário de Salomão, evidenciassem as tensões que, teatralmente, exprimissem a riqueza dos personagens e os momentos mais salientes da aventura transfronteiriça. O paquidermísmo humano e a humanização afetuosa do Salomãozinho, cruzam a narrativa teatral assimilada do texto literário de José Saramago que se caracteriza pelo “humor irreverente, a ironia distanciadora, a compaixão, o humanismo cético e a ternura”, contrabalançada com “a mesquinhez, os inconvenientes próprios do caminho e o desconsolo provocado pelos poderes terrenos e divinos”.[8] Contra factos tão literários, que argumentos restam ao teatro? Somente navegar na narrativa, bem como devolver ao palco os diálogos já tão magnificamente elaborados e o carácter ficcional das situações que, estando a viver nas páginas do livro, pertencem ao imaginário daqueles que, na leitura, assumem a encenação singular que a sua fantasia reclama. Por isso, estamos confrontados não com público desprevenido, mas, em muitos casos, com guardadores de memórias do que leram. Encenadores duma fílmica leitura. Mediadores zelosos que querem identificar a leitura na visão teatral que lhes é proposta.

Mas não será excessivo, sem embargo, observar que onde poderia parecer que há pouco de Saramago, aqui se encontra todo ele, o mais relevante, a palavra descoberta, sem alardes nem arranjos, sem argumentos nem propósitos que não sejam habitar o centro da língua portuguesa e, uma vez mais, dar a sua versão heterodoxa e complementar da História a partir de ressurreições marginais imaginadas, de uma vontade humanista, de substituir a crónica pela invenção e forçar a alteração da perspectiva acomodada.[9]

[1] José Saramago, A Viagem do Elefante,
[2] idem, O Evangelho Segundo Jesus Cristo,
[3] Jornal de Letras, Artes e Ideias, Testemunho de Fernando Gomez Aguilera sobre obra literária de Saramago, 5/11/08,
[4] José Saramago, Todos os Nomes,
[5] Idem, ibidem,
[6] Mensagem de Pilar del Rio, José Saramago terminou um novo livro. Chama-se A viagem do elefante.
[7] José Saramago, Palavras para uma cidade
[8] Fernando Gomez Aguilera, “Testemunho de sobre obra literária de Saramago”, Jornal de Letras, Artes e Ideias, 5/11/08
[9] Idem, ibidem


Ficha técnica e artística

Texto criado a partir da adaptação livre do conto de José Saramago “A Viagem do Elefante”
Adaptação dramatúrgica e encenação
José Rui Martins ePompeu José
Assistência de encenação Ilda Teixeira e Sandra Santos
Criação e direção musical Luis Pastor
Arranjos musicais “A Cor da Língua ACERT” e Luis Pastor
Cenografia e desenho gráfico Zétavares
Escultura de cena Nico Nubiola
Atores do Trigo Limpo Teatro ACERTAntónio Rebelo, Hugo Gonzalez, Ilda Teixeira, João Silva, José Rui Martins, Pedro Sousa, Pompeu José e Sandra Santos
Músicos Carlos Peninha ou André Cardoso, Lourdes Guerra, Luísa Vieira, Lydia Pinho, Miguel Cardoso ou Carlos Borges, Rui Lúcio ou Flávio Martins,
Direção de produção Miguel Torres
Mecanismos cénicos e técnico de som Luís Viegas
Desenho e operação de luz Paulo Neto
Condução de engenho cénico António Gonçalves
Engenharia mecânica David Pinheiro com apoio do Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial do Instituto Politécnico de Viseu - Escola superior de Tecnologia
Ajudantes de cenografia Xus Góngora, Adriana Ventura, Cláudio Lima
Figurinos Rafaela Mapril
Assistente de Figurinos José Abrantes
Costureiras Sandra Rodrigues,  Pesponto Moderno,  Alice Martins,  Fernanda Abrantes
Contra-regra Adriana Ventura
Serralharia Jorge Almeida e Rui Ribeiro
Carpintaria de cena Carmoserra
Equipamento de som e luz Stageland
Pirotecnia Pirotécnica do Dão
Assistente de ProduçãoRui Coimbra
Secretariado Marta Costa e Rui Vale
Produção Trigo Limpo Teatro ACERT
AGRADECIMENTOS Gialmar, Tojaltec,  Alumetal Sanchez,  Instituto Politécnico de Viseu – Escola Superior de Tecnologia,  Transportes Fernando Pinheiro,  Bombeiros Voluntários de Tondela,  Multifusivel,  Promotujau,  Tondagro,  Engenheiros Ângela Neves e José Salgueiro Marques,
Laboratório de interpretação: Alberto Gonçalves, Alexandra Monteiro, Ana Galamba, Ana Margarida André, Daniel Nunes, Eva Marques, Gustavo Marques, Jorge Martins, Jorge Nascimento, Luís Henriques, Márcia Leite, Margarida  Quintal, Margarida Carvalho, Margarida Oliveira, Maria Helena Figueiredo, Nelson Dias, Paulo Matos, Rosa Simão, Samuel de Almeida, Susana Alves, Tatiana Duarte, Vanessa Santos, Vera Ermida.
… todos os voluntários que connosco construíram este espetáculo.

Estreado a 29 junho de 2013, em Figueira de Castelo Rodrigo

 


Galeria de Imagens