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LOBA
Talvez seja solidão a palavra que me ecoa depois de assistir ao espetáculo “LOBA”. Uma solidão que começa pequenina, que às vezes me faz sorrir. Outras vezes, rir. Outras ainda, ficar séria, espantada. Às vezes, entre uma cena e outra, chega rápido e instala-se sem pedir licença e me faz doer qualquer coisa que não sei bem o quê.
As solidões têm várias formas, feitios, cheiros. Esta, de que vos escrevo, tem uma cor: âmbar. Qualquer coisa entre o laranja e o dourado, entre a sensação de ficar parada - quase paralisada - e ao mesmo tempo querer mergulhar nessa cor-sem-cor-definida que me faz lembrar a luz do fim das tardes esticadas. Há memórias, muitas, a que não consigo chegar, mas que sinto estarem guardadas nesse âmbar de possibilidades infinitas. Talvez tão antigas que expliquem esta solidão que, dia após dia, conta uma vida inteira.
Tenho para mim, que a solidão começa em quatro paredes cheias de certezas, em regras escritas por extenso e para serem aplicadas “sim, senhor” sem que os pés pisem a terra e o nariz sinta a natureza a acontecer. Gostava de ser livre como a Sibila. De olhar a solidão de cima da serra e ainda assim correr, de cheirar o medo sem medo, ou de assumir o medo sem deixar de ser quem sou. Difícil o momento em que percebemos que, para sobreviver, temos que nos esventrar. “Esquecer as rotinas que vestimos. Tirar o ruído do nosso peito”. Libertador momento, esse. Talvez o “bicho bravo” seja, afinal, não o outro, mas o que fazemos connosco quando não olhamos para os outros. Quando assumimos que as regras que criamos cabem na vida de outros seres, vivos como nós!, e julgamos os seus atos sem olharmos para as suas razões. Instintivas razões, como deveria ser o amor, sempre. Esse amor que nos salva, que não tem palavras, que não tem medidas, que apenas existe. Às vezes de pés descalços a sentir o mundo… ou de patas livres a calcorrear a serra num “trote lobeiro”... ou de asas soltas a voar o azul infinito do céu, que às vezes não é azul, é âmbar. Âmbar como os olhos da solidão. Estaremos vivos?
- Eduarda Freitas
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Ficha técnica e artística
Criação e Interpretação: Élio Ferreira, Noelia Domínguez, Sérgio Agostinho e Tiago Santos Direção e Criação: José C. Garcia e Sérgio Agostinho Direção Técnica, Desenho de Luz e Som: Nuno Tomás Espaço Cénico e Figurinos: Criação coletiva Formação Acrobacia Aérea: Marcos Rivas Farpon e Morgane Jaudou Direção de Produção: Sérgio Agostinho e Noelia Domínguez Administração, Assistência de Produção e Logística: Sara Casal Desenho gráfico e Comunicação: Alexandra Teixeira Fotografia de Cena: Lino Silva Registo Vídeo e Trailer: José Miguel Pires Logística: Patrícia Ferreira Assessoria de Imprensa: Eduarda Freitas Gestão Financeira e Contabilidade: Ana Margarida Caetano LOBA é uma co-produção com o Município de Vila Real (Co-Gestão Parque Natural do Alvão) e o Teatro de Vila Real.