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LA CONFIDENCE DES PIERRES
Com “La confidence des pierres” (A confidência das pedras), a artista visual Julia Dupont apresenta o fruto de sua residência na ACERT, realizada de 19 de maio a 1 de junho de 2025. Nesta ocasião, desenvolveu uma nova criação fotográfica e vídeo sobre a presença mineral na região de origem da sua família em Portugal, em Ermida - Tondela.
Reconecta-se, assim, a uma das memórias mais marcantes da sua primeira viagem a Portugal, aos oito anos de idade: a coexistência dos humanos e das pedras neste país acidentado, que se adapta singularmente ao seu solo e aos seus relevos.
Para o seu projeto, refez o último troço da rota dos emigrantes entre França e Portugal, com a entrada por Vilar Formoso, fazendo paragem nesta zona que é, habitualmente, apenas de passagem. Dos últimos quilómetros da planície de Castela e Leão, bifurcou e explorou as margens da autoestrada que sobe e desce sobre os últimos contrafortes da Serra da Estrela, erguendo as primeiras rochas equilibristas, percorrendo entre as extensões áridas e hostis, silenciosas e magnéticas.
Ao longo de sua residência, estendeu-se em torno de Tondela, indo ao encontro das relações que as populações, culturas e épocas mantêm com as rochas da região: observar as manifestações materiais da coabitação humana com as pedras, da pré-história até hoje, questionando o que cada uma das ocorrências encontradas implica nas nossas relações com o mundo natural, entre simbiose e imposição.
Assim, a mostras exibe diversas expressões da convivência entre natureza e homem. Dos dólmens do Neolítico—arquitetura monumental ligada a um prestígio social e a uma transformação profunda da paisagem—, às cúpulas ou traçados circulares gravados na superfície de pedras—pouco visíveis entre os juncos, as madeiras ou os acidentes naturais da pedra.
Das arquiteturas populares da cultura camponesa—que fazem uso da pedra deixando-lhe a sua integridade—, aos olhos esculpidos no granito para moldar a imagem de uma classe favorecida.
De um parquet em madeira de fratura recente—que integra e contorna uma presença rochosa subjacente—, ao artifício de pedras falsas ásperas, modeladas numa arquitetura urbana clássica à volta das ruas de Viseu...
Cada uma das imagens da artista se encarrega de enfatizar e entrelaçar várias concepções da paisagem e da natureza, do espaço e do tempo, da vida e da morte, da transmissão e da inter-relação entre todas as formas de existência, sejam elas animais ou humanas, vegetais ou minerais.
Esta exposição será seguida por uma segunda parte, apresentada no Museu Municipal de Oliveira de Frades em 2026.
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