25 mai
SÁB
21:45
teatro 25 De Abril: A Divina Surpresa Trigo Limpo teatro ACERT
Classificação
Maiores de 14
Duração
60 MIN.
Preço

PREÇO: 7,50€
ASSOCIADOS: 5€

DESCONTOS 
(ESTUDANTE/REFORMADO/DESEMPREGADO):
NORMAL: 4€
ASSOCIADO: 2,5€

ACOMPANHANTE DE PESSOA C/ DEFICIÊNCIA: GRATUITO

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25 mai
SÁB
21:45

teatro

estreia

Classificação
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25 De Abril: A Divina Surpresa

Trigo Limpo teatro ACERT

Quando pensávamos na criação de um espetáculo que traduzisse o apego do Trigo Limpo teatro ACERT à celebração dos 50 anos do 25 de Abril, marco histórico que foi berço, embalo e acalento da formação do
nosso grupo, surgiu em boa hora o convite do Centro de Estudos Ibéricos e do Teatro Municipal da Guarda para que criássemos um espetáculo que encerrasse o programa do Centenário do nascimento de Eduardo Lourenço. Que melhor se poderia desejar do que ter por companhia um cidadão que nos despertou
um sentimento tão profundo quando escreveu "Os portugueses atreveram-se tanto quanto podiam, talvez, e esse atrevimento é aquele que ficará realmente na história de nós". Esta ideia contém, entre muitas perspetivas, uma interpretação sublime do que representa coletivamente a importância perene do 25 de Abril.

A sua genialidade e singularidade em interrogar-se, interrogando-nos, inspira-nos para nos afastarmos dos lugares-comuns, das frases feitas ou dum repisar evocativo que é demasiado redutor para um olhar de autenticidade sobre um 25 de Abril.

Não fossemos nós portugueses, vamos atrever-nos tanto quanto podemos, desejando que a sinceridade,
o prazer e a autenticidade desse atrevimento, seja um tributo a Eduardo Lourenço e ao 25 de Abril para que fique realmente na estória coletiva do Centro de Estudos Ibéricos, do Trigo Limpo teatro ACERT de Tondela, do Teatro Municipal da Guarda e do Teatro Académico Gil Vicente de Coimbra.

 

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Ficha técnica e artística

Produção: Trigo Limpo teatro ACERT
Promotores Associados: TMG - Teatro Municipal da Guarda e Centro de Estudos Ibéricos
Participação Especial: Teatro Académico Gil Vicente
Apoio: Direção-Geral das Artes Município da Guarda

História Original – Pedro Leitão
Texto e Dramaturgia – José Rui Martins e Pedro Leitão

Encenação – José Rui Martins

Promotores Associados – Teatro Municipal da Guarda e Centro de Estudos Ibéricos

Participação Especial – Teatro Académico Gil Vicente

 

FICHA TÉCNICA

Elenco Trigo Limpo teatro ACERT

Grupo Coral de Maçainhas - Melo Vox – Coro de Câmara

Atores e atrizes do Distrito da Guarda

Afonso Cortez | Agostinho da Silva | Alcina Rebelo | Ana Couto | Ana Freire da Silva | António Rebelo | Bárbara Oliveira | Carlos Rebelo | Dulce Gomes | Henrique Silva | Ilda Teixeira | Irene Leitão | Jeni Cardona  | Joana Sequeira Mendes | João Costa | Lídia Pereira | Madalena Rodrigues | Manuel Tavares | Martim Santos | Mia Henriques | Miguel Coelho  | Pedro Leitão | Pedro Sousa | Pompeu José | Rita Lourenço | Rita Santos |Sandra Santos | Tomás Pires

 

Assistência de Encenação: Pedro Leitão

Direção Musical: Rita Lourenço

Excertos De Letras De Canções

José Afonso - “Eu vou ser como a toupeira” (1972); “Fura Fura” (1979); “Já o Tempo se Habitua” (1969); “Benditos” e “Alegria da Criação” (1985); “Coro dos caídos” (1964); “Eu vou ser como a toupeira” (1972)

José Mário Branco – “A Noite”, “Nem Deus nem Senhor”, 

Francisco Fanhais – “Cantilena” (letra de Sophia de Mello Breyner Andresen)

Fernando Lopes Graça – “Canto da Paz” (letra: Carlos Oliveira) , “Canção do Camponês” (letra: Arquimedes da Silva Santos)

Sergio Ortega/Grupo Quilapayún – “O Povo Unido Jamais Será Vencido” (1973)

Luís de Camões (1524 – 1579/80) – “Amor é Fogo que Arde sem se Ver”

 

Cenografia: Rosa Martins e Fernando Merino

Direção de Montagem: Pompeu José 

Carpintaria de cena: Por Medida

Figurinos: Eva Pereira

Execução de Figurinos: Ecolã

Adereços: José Abrantes

Máscaras: Sérgio Lemos

Desenho e operação de Luz e som: Ricardo Leão

Comunicação e fotografia: Daniel Nunes

Produção: Marta Costa e Raquel Costa

Apoio à Produção: Anabela Sousa, Carla Gomes, Luís Viegas, Margarida Loureiro, Paula Pereira e Paulo Neto

 

Agradecimentos

Equipa Técnica e de Produção do TMG | Alexandra Isidro | António Fonseca e Costa | António Pedro Pita | Centro Interpretativo da Máscara Ibérica | Ecolã | Equipa Técnica e de Produção do TMG | Filipe Almeida  | Gambozinos e Peobardos – Grupo de Teatro da Vela | João Claro | Manuela Cruzeiro | Rui Jacinto | Teatro Aquilo | Teatro Regional da Serra de Montemuro

Apoio na Divulgação: Jornal do Fundão, Jornal do Centro e Diário de Coimbra


Sobre o espetáculo

“OS PORTUGUESES ATREVERAM-SE TANTO QUANTO PODIAM, TALVEZ, E ESSE ATREVIMENTO É AQUELE QUE FICARÁ REALMENTE NA HISTÓRIA DE NÓS".

Eduardo Lourenço

Quando pensávamos na criação de um espetáculo que traduzisse o apego do Trigo Limpo teatro ACERT à celebração dos 50 anos do 25 de Abril, marco histórico que foi berço, embalo e acalento da formação do nosso grupo, surgiu em boa hora o convite do Centro de Estudos Ibéricos e do Teatro Municipal da Guarda para que criássemos um espetáculo que encerrasse o programa do Centenário do nascimento de Eduardo Lourenço. Que melhor se poderia desejar do que ter por companhia um cidadão que nos despertou um sentimento tão profundo quando escreveu "Os portugueses atreveram-se tanto quanto podiam, talvez, e esse atrevimento é aquele que ficará realmente na história de nós". Esta ideia contém, entre muitas perspetivas, uma interpretação sublime do que representa coletivamente a importância perene do 25 de Abril. 

Como escreveu Lídia Jorge, Eduardo Lourenço continua a ser “o poeta do nosso pensamento”, atributo que, certamente, constituiria, para a gente do teatro, um momento ímpar e mágico: ter o nosso pensador a participar num ensaio de uma peça que tivesse como tema “Pensar Portugal”.

A sua genialidade e singularidade em interrogar-se, interrogando-nos, inspira-nos para nos afastarmos dos lugares-comuns, das frases feitas ou dum repisar evocativo que é demasiado redutor para um olhar de autenticidade sobre um 25 de Abril quando nos faz refletir que A evocação ou a referência ao passado só é interessante por pôr em causa o presente e explicar as suas nostalgias ou o seu mal-estar”.

Este espetáculo terá uma linha de tempo descontinuada. Não se deseja que Eduardo Lourenço seja um personagem estereotipado, ainda que o seu pensamento possa povoar simbolicamente “o pó do tempo”esse tempo quepara o nosso Mestreé transportado fisicamente pelo livro. Esse pó que representa o tempo, “quer dizer a própria essência da vida”.  

Pretende-se que a narrativa tenha como ponto de partida S. Pedro do Rio Seco e 1923; que percorra itinerários de liberdade, inconformismo e duma visão cosmopolita e terna como aquela que Eduardo Lourenço tão subtilmente connosco continua a partilhar: “A vontade de não abdicar do Sonho”, afinal o valor humano mais precioso de um 25 de Abril que não só perfaz 50 anos, mas que perdura pela intemporalidade com que habita em cada um de nós. 

"Mais importante que o destino é a viagem". É isto sem tirar nem pôr! Neste trilho teatral emocional, haverá a aldeia, a sua Guarda, Lisboa, Coimbra, os tempos de errância, de Vence e de um regresso a S. Pedro do Rio Seco e a um 25 de Abril, sempre [!] a “Pensar Portugal”.

Não nos restam dúvidas de que o mais difícil nesta aventura é selecionar, num universo tão harmonioso de ideias e tão lúcido de ideais, quando o que a seguir se transcreve, que já tem, de per si, pano para mangas para uma narrativa teatral apaixonante:

“(…) Tudo o que conta é feito à nossa imagem, a cidade, o bairro, a nação, o vasto mundo. Nada são se não são memória viva, ir e vir dentro do nosso próprio barco para aquele porto onde nada nos espera senão carregamentos dos sonhos que nos sonham. Se não fosse assim, como suportaríamos o peso insuportável de fronteiras que nos tornam inacessível um mundo onde devíamos respirar como se estivéssemos no paraíso? A fronteira é o sinal de que fomos expulsos do paraíso, de todos os paraísos, salvo o da casa-tempo da memória, nossa e alheia, onde nos refugiamos para existir como os anjos que não somos. Mas é também o sinal de que, transpondo-a, estamos tentando recriar, por nossa conta e risco, o paraíso perdido.”

Não fossemos nós portugueses, vamos atrever-nos tanto quanto podemos, desejando que a sinceridade, o prazer e a autenticidade desse atrevimento, seja um tributo a Eduardo Lourenço e ao 25 de Abril para que fique realmente na estória coletiva do Centro de Estudos Ibéricos, do Trigo Limpo teatro ACERT de Tondela, do Teatro Municipal da Guarda e do Teatro Gil Vicente de Coimbra.   

Trigo Limpo teatro ACERT




Pelo Município da Guarda

Na génese deste espetáculo, emergiu a intenção da Câmara Municipal da Guarda de desafiar a criação de uma obra que traduzisse o profundo apego da Guarda à celebração dos 50 anos do 25 de Abril, mas marcando de forma ímpar, o encerramento do programa do Centenário do nascimento de Eduardo Lourenço. 

A criação desta peça é uma homenagem não só à liberdade conquistada em 1974, mas também ao legado intelectual e cultural de Eduardo Lourenço, um dos maiores pensadores portugueses.

Que honra maior poderíamos nós ambicionar do que partilhar este tributo com um pensador cuja obra nos provocou reflexões tão profundas como povo e nação. 

Eduardo Lourenço tinha a consciência do arrojo dos portugueses perante a sua história, oferecendo-nos uma visão sublime do significado duradouro do 25 de Abril. O poeta do nosso pensamento racionalizou e dissertou como ninguém sobre o nosso lugar na Europa e no mundo.

Eduardo Lourenço é reconhecido como o poeta do pensamento, uma qualidade que nos inspira profundamente. Para nós, que quisemos também a expressão do teatro no seu centenário, seria um momento mágico ter o ideário do nosso pensador presente num ensaio sobre “Pensar Portugal”.

A sua habilidade única de se questionar e de nos questionar inspira-nos a fugir dos clichés e das frases feitas. Ele leva-nos a refletir sobre o presente, as suas nostalgias e desconfortos, encorajando-nos a olhar para o passado apenas na medida em que nos ajuda a compreender o nosso presente, para partir sem medo para um melhor futuro coletivo.

A narrativa inicia-se em S. Pedro do Rio Seco e segue por um percurso de liberdade e inconformismo, refletindo a visão cosmopolita e terna de Eduardo Lourenço. O espetáculo atravessa diferentes geografias e tempos, desde a aldeia natal do pensador até às cidades que marcaram a sua vida, como a nossa Guarda, Lisboa, Coimbra e Vence. Cada local e cada momento são explorados com a intenção de mostrar a vontade de não abdicar do sonho e da liberdade de pensar, valores centrais do 25 de Abril e temas recorrentes no trabalho de Lourenço.

Ao propormos este enorme desafio, esperamos que a nossa sincera e autêntica intenção, preste um tributo digno a Eduardo Lourenço e ao 25 de Abril. Desejamos que esta peça marque a história coletiva do Município da Guarda, do Centro de Estudos Ibéricos, do Trigo Limpo teatro ACERT de Tondela, do Teatro Municipal da Guarda e do Teatro Gil Vicente de Coimbra.

Como portugueses, vamos atrever-nos o máximo possível, desejando que a sinceridade, o prazer e a autenticidade deste atrevimento sejam um tributo a Eduardo Lourenço e ao 25 de Abril. Esperamos que este “Divina Surpresa” fique gravado na história coletiva de todos nós.


Sérgio Costa 
Presidente da Câmara Municipal da Guarda




As Palavras de Pedro Leitão

TINHA UMA PLANTA DE FLOR, UMA SARDINHEIRA, EM CASA E SÓ ME APERCEBI DELA QUANDO MORREU.

Só me apercebi daquela planta que dava cor à minha sala quando o azul profundo da corola das suas flores deixou de manchar o branco estéril da parede.

Eduardo Lourenço coabitou a poeira estrelar deste tempo e espaço, para mim, da mesma forma que aquela planta, e agora que o som da sua voz já não responde às minhas perguntas, escutar o eco das suas cores tornou-se a única forma de diálogo possível entre nós.

Através do imaginário e dos lugares do tempo tão próprios de Eduardo Lourenço, a escuta desse eco originou a aldeia-universo onde se desenrola a ação, e onde as personagens travam a luta para descobrir como se habita a liberdade numa terra onde o regresso sem fim a um passado glorificado impõe o silenciamento individual e proíbe que se escrevam novas heterodoxias. 

É numa viagem por esses caminhos que a peça que se apresenta pretende conduzir o espectador.

Pedro Leitão


As Palavras de José Rui Martins

E SE EDUARDO LOURENÇO ASSISTISSE A UM ENSAIO?

"O que se escreve ou se lê não tem uma utilidade. É um resultado do que somos de mais misterioso, de mais misterioso e ao mesmo tempo de mais ambicioso. Daquilo a que chamam artes, a que revela o que a Humanidade tem de mais sumarento é a música. Ler ou escrever é uma música um tom abaixo.“

Eduardo Lourenço in Público - 2017

“Bom dia, Mestre!” Assim, poderia iniciar-se a conversa antes do ensaio geral com o nosso Eduardo Lourenço. Estamos a vê-lo sentadinho com aquele ar sempre de menino. Gentil e interessado em saborear palavras e ideias.

O ensaio geral decorreu com os intérpretes e autores emanados por uma genica de transmitir ao Mestre a gratidão pela preciosidade das suas palavras na construção de cada uma das personagens.

O distinto habitante de S. Pedro de Rio Seco que conhecemos através da Fundação José Saramago e de Pilar Del Río, aquando da apresentação de “A Viagem do Elefante” em Lisboa, quando esperávamos ouvi-lo a falar sobre a também sua “Divina Surpresa”, ficou mudo e, passinho a passinho, falava com o olhar. Talvez uma forma de nos abrir a sua janela de interrogações sobre o mundo, as pessoas e a sua aldeia.

Guardámos esse olhar e construímo-nos pela lucidez da sua simplicidade. O espetáculo passou a ser da cor do seu cabelo e a generosidade do Mestre contagiou os intérpretes e construtores que se juntaram fraternalmente ao elenco do Trigo Limpo teatro ACERT para a aventura da criação. Um coletivo que, guiado emotivamente por Eduardo Loureço e pelos sinais libertadores do 25 de Abril, se manifestou portador de uma energia e talento que merece a maior das gratidões. 

Um dia, perguntaram a Eduardo Lourenço “O que é ser feliz”, ao que ele respondeu: Nada. Viver nesse espaço [sítio incógnito, pouco visto, pouco sabido dos olhos do mundo] que foi o espaço da inocência.  

Os comentários que o Mestre teve no final do ensaio geral, habitaram o seu anónimo olhar deste encontro imaginário, mas esta “Divina Surpresa” cumpre um desígnio onírico de quem foi presenteado pelas suas memórias inesgotáveis e sempre imprescindíveis. 

Obrigado Mestre!

25 de Abril Sempre!

José Rui Martins




As palavras d'O Centro de Estudos Ibéricos

O CEI, A GUARDA E O CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE EDUARDO LOURENÇO

O Centro de Estudos Ibéricos resultou duma ideia sugerida pelo Professor Eduardo Lourenço na sessão solene comemorativa do Oitavo Centenário do Foral da Guarda, em 1999. No elogio à Guarda a que chamou “Oito Séculos de Altiva Solidão”, Eduardo Lourenço refletiu sobre o conceito de interioridade, que afirmou ser “mais filho da história do que da geografia”, uma vez que a Beira só é interior depois que “Portugal se define por um mar”. À Guarda, não interior, mas coração de Portugal, lançou Eduardo Lourenço o repto da criação, na senda de Oliveira Martins, de um “Instituto da Civilização Ibérica”, que tivesse por função pensar a jangada de pedra que dos Pirenéus se desloca para o Atlântico, favorecendo o intercâmbio entre dois polos culturais importantes da Europa, Coimbra e Salamanca. 

O desafio foi bem acolhido e viria a concretizar-se um ano depois, com a assinatura de um Protocolo e, posteriormente, com a criação formal do CEI como associação transfronteiriça sem fins lucrativos constituída pela Câmara Municipal da Guarda, Universidade de Coimbra, Universidade de Salamanca e Instituto Politécnico da Guarda.

A aposta na cooperação como forma de superar fronteiras, a procura de um diálogo entre culturas ancestralmente separadas, prosseguindo os valores humanistas e a dimensão universal, lapidarmente enunciados por Eduardo Lourenço, são, pois, o cerne da identidade do Centro de Estudos Ibéricos. Volvidas duas décadas de atividades ininterruptas, o CEI afirma-se como plataforma de diálogo, encontro de culturas e centro de transferência de conhecimentos e investigação, contribuindo para superar barreiras e estimular a cooperação entre diferentes territórios de aquém e além-fronteiras. 

O ano de celebração do Centenário do Nascimento de Eduardo Lourenço (23 de maio de 2023 a 23 de maio de 2024) representa para o Centro de Estudos Ibéricos uma oportunidade de celebração e de responsabilização. Um trabalho desenvolvido em articulação com várias entidades nacionais e estrangeiras com os objetivos de articular uma programação ampla e diversificada, refletir criticamente sobre o legado e alargar o conhecimento da obra, dignificando assim o seu Mentor e Diretor Honorífico. 

Conferências, exposições, edições, colóquios, seminários, concertos e roteiros têm vindo a dar corpo a um programa orientado por quatro coordenadas: (i) Aprofundar o conhecimento da obra, (ii) Ampliar o universo de leitores, (III) Expandir o legado e (iv) Territorializar um pensamento desterritorializado. 

O teatro e a dramaturgia não poderiam, pois, ficar de fora desta eclética programação. O desafio lançado pelo CEI e pelo Teatro Municipal da Guarda ao Trigo Limpo teatro ACERT foi no sentido da criação de um espetáculo em torno de Eduardo Lourenço, interpretando a sua ligação às raízes, a sua itinerância pelo país e estrangeiro e o seu constante pensar e repensar Portugal, a Europa e o mundo. A associação deste universo lourenciano às Comemorações dos 50 anos do 25 de abril surgiria posteriormente como uma simbiose natural.

Pensar Eduardo Lourenço e honrar o seu legado passa também por imaginar novos itinerários de pesquisas, transgredir fronteiras de saberes, inventar outros territórios de compreensão e reforçar laços de cooperação. 

Esta “Divina Surpresa” cumpre, de forma criativa e original, tais objetivos, incitando a repensar o que Eduardo Lourenço pensou e o que nesse pensamento ficou impensado: “Nós como futuro”.

Centro de Estudos Ibéricos, Guarda, maio de 2024