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Auditório 2 Sex, 18 dez'15 às 21:45
Auditório 2 Sáb, 19 dez'15 às 21:45
Cine Teatro Dr. Morgado, Oliveira de Frades Sáb, 5 mar'16 às 21:30
Teatro O Bando - Palmela sáb, 12 mar'16 às 21:30
Teatro O Bando - Palmela Dom, 13 mar'16 às 17:00
Auditório 2 Sex, 8 abr'16 às 21:45
Auditório 2 Sáb, 9 abr'16 às 21:45
TAGV, Coimbra Sex, 11 nov'16 às 21:30
Cine Teatro Jaime Gralheiro Sáb, 25 fev'17 às 21:30
Teatro Meridional - Lisboa De 15 a 17 mar'17 às 21:30
Teatro de Vila Real - Caixa de Palco Qua, 11 de abril de 2018 às 21:30
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E AGORA?
M/12
Texto do Autor
Em E agora? vamos escalpelizar a atualidade através das palavras de Gonçalo M. Tavares e tentar perceber o que se está a passar neste nosso mundo: “Será que o abstrato invadiu a Europa… A velha economia era isto: duas vacas que se trocavam por mil galinhas; fábricas e máquinas, árvores que se vendiam ou compravam. Pouco a pouco, no entanto, os elementos vivos e os metros quadrados foram desaparecendo de cena. Ficaram papéis com signos e números… Se escrevermos num papel a frase “este papel vale cem mil euros”, certamente não iremos acreditar que esse papel, essa folha que antes estava branca, passará a valer 100 mil euros… Mas se ganharmos uma certa distância, veremos que, em parte, toda a queda económica a que assistimos hoje se deve a um processo semelhante, a grande escala. Quem tem um papel acredita que esse papel vale, se pensarmos nas acções, um certo dia 2 euros, no dia seguinte euro e meio, e na semana seguinte três euros. Estas subidas e descidas do valor das acções, para quem está de fora e não entende nada de nada, são algo ainda mais estranho. Não é apenas a crença fixa num signo, como era a dos Primitivos, agora é uma crença flutuante - que a cada dia muda o valor material que atribui ao signo. O mais absurdo é que a crença no abstracto, foi acompanhada por uma destruição sem precedentes da matéria concreta. Foram abatidos na Europa vacas e barcos, campos de cultivo foram desactivados, máquinas destruídas ou impedidas de trabalhar, pois não se devia produzir mais do que uma certa quantidade. E ano após ano os dois processos foram avançando em paralelo: destruição das coisas que no mundo tinham volume e multiplicação dos papéis sem volume que simbolizavam riqueza. Acreditou-se, no fundo, que a riqueza estava nos signos e que as vacas, os barcos ou os metros quadrados eram uma riqueza, sim, mas antiga, ultrapassada, inadequada. E durante anos trocaram-se papéis de um lado para o outro. Pequenas folhas que rodavam de mão em mão; e, a cada passagem, por magia, essas folhas pareciam aumentar de valor. Como uma passagem de testemunho mágica: o indivíduo A passava um papel ao indivíduo B, este ao indivíduo C, este ao D, e o último da fila, por fim, acreditava que o papel recebido valia já mil vezes o valor inicial.”
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