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3 Perguntas a Carlos No
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Óstracos vai ser criada e mostrada ao público numa altura em que a Europa enfrenta a maior crise de refugiados desde a II Guerra e em que a escolha entre a solidariedade ou o empurrão para o ostracismo está na ordem do dia. Esperas que a instalação desencadeie essa reflexão em Tondela?

Sim, em Tondela e em todo o lado onde o conhecimento e a visibilidade desta peça possa chegar, nomeadamente agora, que o tema dos refugiados está na agenda do dia, quer noticiosa, quer política. Finalmente esta questão começa a ser debatida, inclusive pela “opinião pública”, ainda que o resultado nem sempre seja aquele a que eu mais gostava de assistir, pois constato que este está a ser um tema fraturante na nossa sociedade e não de união, onde esperava que se evidenciasse uma afirmação clara de solidariedade para com estas pessoas.

De que modo a participação de outras pessoas no processo criativo e de construção da instalação pode alterar aquilo que tinhas definido para Óstracos?

Em termos conceptuais não creio que esta possa vir a sofrer uma grande alteração, já que esta obra vem, como todas as outras, aliás, materializar um pensamento e uma linguagem muito pessoal e bem definida acerca de uma determinada questão que, neste caso particular, é a da problemática dos refugiados.

Já em relação à questão formal, creio que aqui, sim, poderá haver alguma alteração em relação àquilo que defini à partida como sendo as caraterísticas que pretendo que esta obra venha a ter. Bastará, para isso, que surjam, por exemplo, “algumas pedras no meio do caminho” durante a sua produção, e que para as contornar seja preciso encontrar outras soluções. Aqui, o ponto de vista do outro pode ser também muito importante. No entanto, e para já, o que posso garantir é que o “cunho manual/pessoal” de cada um dos participantes vai lá estar, na obra final.

 

Alguns Óstracos da antiguidade grega chegaram aos nossos dias, outros ter-se-ão desfeito ou perdido com o tempo. Que destino pensas dar a estes Óstracos contemporâneos depois de terminar a exposição?

Não tenho a pretensão de que esta obra possa vir a ser uma obra de referência para História da Arte em Portugal, menos ainda da História da Arte Mundial, mas uma vez feita gostaria de lhe dar a maior visibilidade e longevidade possível.

Não costumo pensar o meu trabalho em termos da importância que este possa vir a ter num futuro mais longínquo, somente no presente, mas uma vez que me colocam esta questão, e que estou agora a pensar nela, confesso que gostaria de imaginá-los com 2500 anos de existência (tal como têm alguns que chegaram até nós), como um registo de memória de um tempo em que questões como estas – as da exclusão do outro – ainda se encontravam, infelizmente, bem presentes e eram debatidas, nesta nossa interminável luta e busca para alcançarmos o chamado “Homem perfeito”, portanto civilizado”.


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2015-09-25
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