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CASSANDRA
A rubrica Santos da Casa Teatro regressa nesta edição de FINTA, reafirmando o compromisso de dar palco a novos talentos. Em 2026 Rafaela Miranda é a criadora em destaque, que apresenta a peça “Cassandra”.
Depois da guerra, restaram os escombros, mas também a promessa de um mundo novo.
Um mundo que, apesar de tudo, continuou a repetir os mesmos gestos, as mesmas violências, as mesmas contradições.
Ela escolheu permanecer à margem desse mundo. Construiu um jardim onde ninguém esperaria que pudesse existir vida e, entre raízes, flores e silêncios, edificou uma espécie de universo particular. Um lugar onde a beleza não é uma ingenuidade, mas um ato de resistência. Onde a felicidade não depende daquilo que acontece lá fora.
Ele regressa todos os dias.
Entre os dois, irmãos separados não pela distância, mas pela forma como decidiram compreender a existência, estabelece-se um diálogo feito de confrontos, memórias e inquietações. Ele procura convencê-la de que é necessário voltar. Ela questiona a natureza desse regresso e a legitimidade de um mundo que exige às pessoas que se tornem aquilo que mais temem.
Porque talvez o mundo não seja apenas um lugar cruel. Talvez a sua maior crueldade seja ensinar-nos a acreditar que, para nele sobreviver, também temos de ser cruéis.
Ela, porém, recusa-se.
E enquanto o seu jardim floresce, silenciosamente, entre paredes onde ninguém esperaria encontrar vida, permanece a pergunta: será possível preservar a própria humanidade sem participar do mundo que a ameaça?
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Ficha técnica e artística
Texto e Dramaturgia: Rafaela Miranda Interpretação: Rafaela Miranda, Miguel Matos e Pedro Sousa Encenação: Rafaela Miranda Design e Capa: Gabriel Lopes
Sobre a artista
Rafaela Miranda
Filha de mãe cabo-verdiana e pai português, nasceu a 1 de abril de 2004, em Viseu. O gosto pelo teatro parece acompanhá-la desde o ventre materno — algo que se entranhou e permaneceu em tudo o que faz, desde o contar de histórias à imitação de pessoas e personagens.
Os primeiros passos no palco foram dados em 2019, no grupo Na Xina Lua, com “O Sentido da Vida”, de Dulce Maria Cardoso, e consolidaram-se em 2022 com “As Cigarras Septendecim e Tredecim”, de Afonso Cruz — ambos integrados no projeto PANOS, do Teatro Nacional D. Maria II, nos respetivos anos.
Concluiu, em 2025, a Licenciatura em Teatro e Educação pela Escola Superior de Educação de Coimbra. Durante o percurso académico, em novembro de 2023, escreveu e encenou a sua primeira peça, “Ágape”, apresentada na galeria A Fábrica de Élia Ramalho - espaço com o qual manteve colaboração contínua, tendo aí participado também em duas criações dirigidas ao público infantil: “Logo, logo haverá dada” e “Van Gogh Viaja no Tempo”. Estas produções integraram posteriormente o projeto MANIF – Manifestação Artística da Infância.
Ainda no mesmo período, em 2024, teve a oportunidade de integrar o projeto de Comunicação e Regulação Emocional em Radioterapia, centrado na simulação e avaliação do atendimento humanizado.
Participou também em diversas curtas-metragens, entre as quais “Two Steps”, “Azul” e “Mare Nostrum”. Atualmente, colabora com a ACA TEA – Academia de Teatro de Cantanhede, continuando a explorar e aprofundar a sua ligação ao teatro.